quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Fuga da realidade


Houve um menino que viveu a vida inteira longe do pai. O menino cresceu e pensou que jamais teria o pai de volta. Mas um dia o menino percebeu que o pai sempre seria seu pai, e que uma manhã a sós com ele poderia mudar sua vida. Esse menino era eu...

A ideia inicial era todos arrumarem as coisas e passarem um dia em Salto do Itiquira-GO. Mas a gripe havia pego todos de surpresa, e mais surpresa tive eu quando ouvi vagamente meu pai dizer que poderíamos ir somente eu e ele. Isso me assustou, de início, e tive receio. Eu via meu pai somente uns dias por ano. Quando o via, já que minha ida para a cidade onde ele morava nunca era certa. E eu sofria por isso...sempre. Eu o amava demais. Aliás, amava demais toda a minha família por parte de pai. Meus irmãos e minha madrasta eram pessoas incríveis, cada um de seu modo especial. Eu os amava...
Fiquei apreensivo. Na noite que antecedia a manhã do passeio eu não sabia ao certo de iríamos ou não. Eu queria muito ter um tempo com meu pai. Eu sentia distante nos últimos tempos. Não sabia o porquê, mas isso mexia comigo. Pensava que ele não gostava mais de mim. Pensava coisas piores inclusive. Dormi muito tarde após uma sessão, ou melhor, várias sessões de filmes em DVD e pizza. Participei do cardápio com meu sanduíche americano de atum e salada de frutas.
O fato é que por volta das 6:30 da manhã do outro dia, acordei com a voz do papai. Aquilo me deixou feliz. Sim, nós fomos pra Itiquira-GO. E devo lembrar que fiquei bastante tímido. Não sabia o que dizer. Não queria falar besteira, não queria decepcionar o papai. Ele era muito culto, e eu adorava ouvir ele falar sobre tudo. Seu modo único de explicar, de se dirigir às pessoas me deixaram cada vez mais certo de que queria ser um homem como ele. Ele era o homem em que me inspirava. Queria muito ser a metade do que ele era.
Saímos bem cedo e o frio das manhãs de Brasília me deixava calmo. Era ótimo.
Seguimos para a padaria e tomamos um café delicioso. Estávamos só eu e ele. Era diferente. Era meu pai que estava ali! Era inexplicável.
E partimos por volta das 8:30 rumo a Itiquira-GO. O parque municipal do Itiquira era a maior queda d'água acessível do Brasíl e se localizava em Formosa-GO. Eram 168 m de altura, e uma beleza tão próxima a quem o visitava que era impossível não sair de lá em paz com o mundo e consigo mesmo. Havia desde a simples caminhada até a cachoeira até trilhas pela floresta que subiam até o alto. Magnífico e inesquecível.
Foram 115 km desde Brasília e eu e meu pai tivemos uma conversa que me fez mais uma vez evoluir. Papai era mestre nisso.Seus conselhos, suas ideias, sua inteligência...eu era seu maior fã. Sempre havia sido. Eu não seria quem era se não fosse por ele.
Chegamos lá e caminhamos até embaixo da queda d'água. Foi fantástico. O arco íris se formava perfeitamente e era tão próximo a nós que tive a impressão de poder tocá-lo. Os respingos da água nos encharcou por completo. E isso me regenerou. Me fez ver o quanto a natureza é especial e bela. Precisa de nós, apesar de nós precisarmos bem mais dela. Foi um momento fantástico de minha vida.
Tomamos banho na gelada água. Estava muito fria! Nos divertimos muito. Foi encantador.
Nos trocamos e partimos rumo à saída. A frase se meu pai ficou marcada em meu coração. Ele disse "que havia cumprido sua missão. Havia tido um momento especial na cachoeira e que minha presença tornara aquilo inesquecível". Abri um enorme sorriso ao ouvir aquilo...ele ainda me amava. Ainda era meu pai.
Decidimos almoçar em Brasília. Partimos, voltamos pra casa, pra vida, pras férias. Mas aquela manhã ficaria sempre em meu coração. É possível fugir da realidade algumas vezes, apesar de nunca podermos fugir. Só o que fazemos quando pensamos que conseguimos fugir é ficar na mesma realidade...mas vê-la com um olhar diferente. Meu pai me ensinou isso naquele dia. Eu veria a vida com um olhar diferente...

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Estranhamente

Sempre que estive sozinho, procurei por alguém, alguém que pudesse me ouvir...ao menos estar comigo. Alguém que compreendesse meu sentimentalismo, que apreciasse minha companhia, que ouvisse do meu silêncio e que de fato visse meu olhar. Encontrei essa pessoa. Encontrei essas pessoas.
E, agora que estou feliz, que tudo começa a dar certo pra mim, me aparecem pessoas que não compreendem que não sou como muitos, que não dou valor em corpinhos bonitos ou rostos sensuais. Pessoas que tentam driblar minhas vontades e destruir minha felicidade. Não sei direito o porquê...mas sempre que estou com alguém, surgem inúmeras pessoas que querem estar comigo.
Sabe, estou feliz do jeito que sou...estou feliz com quem estou. Gostaria que isso fosse compreendido.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Pizzaria

Fazia um ano desde o dia que alguém havia me falado sobre a terrível DPP. Era algo que muita gente compreendia. Pessoas passavam por isso todos os dias e noites. Eu mesmo já havia passado por ela muitas e muitas vezes...e a DPP era de fato um sentimento horrível. A DPP, pela primeira vez, não havia dado sinais de ter se instalado em mim. Será que a havia vencido? Talvez...Só sabia que ela ainda continuaria a perseguir pessoas que tentavam somente se divertir um pouco e se empanturrar de...PIZZA! Fala sério, a DEPRESSÃO PÓS-PIZZA é f***! rsrsrsrssrsrs.

Eu havia tido uma noite magnífica na pizzaria do pier 21 em Brasília. Aliás, aquele local era mágico para mim havia tempos. Sempre que viajava até Brasília eu visitava aquele lugar. Pessoas, lugares, comida, PIZZA e aquela espetacular visão noturna do lago. Nossa, era um local que sem dúvida estava guardado com todo carinho em meu coração.
Não exagerei na dose, comi apenas 7 fatias...e o sabor "quatro queijos" estava excelente! rsrsrsrs.
Fiquei um tanto surpreso comigo mesmo. Normalmente, ou melhor, até algum tempo atrás, eu normalmente comia mais do que 20 fatias em uma pizzaria. Como disseram-me há dias atrás, eu estava perdendo a potência para comer.
Enfim, o passeio fora fantástico, e meu sincero desejo era repetir a dose antes da viagem de volta.

E, sem explicação, eu havia vencido a DPP. Eu havia progredido, hein!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Férias

Lá estava eu sentado ao computador...

Parecia que tinha sido ontem mesmo a última vez que eu estivera ali. Mas já havia se passado um ano. Eu estava me adaptando à rotina de Brasília-DF. Cidade encantadora. Não fora por acaso que eu outrora senti vontade de morar ali. Mas eu havia aprendido algo importante naquele segundo sentado ao computador: As coisas mudam, o tempo passa e a gente aprende a conviver com isso...se quisermos.